18 fevereiro 2014

A Revolta de Kiev


Adelino Maltez chama-lhe a "Primavera dos Povos" eu denomino-a de "Revolta nas Democracias Musculadas". Em qualquer dos casos é a Revolta dos Povos subjugados por pretensas democracias que só reconhecem o poder da força e da subjugação.

Há uns meses que a Ucrânia vinha a reclamar das políticas do presidente Ianukovitch, particularmente quando este suspendeu a assinatura de acordos previstos com a União Europeia e se tornou num joguete do senhor Putin e dos seus gásrublos que vão mantendo a política de Ianukovitch.

Há uns meses que os ucranianos, em especial na Praça da Independência, na capital, Kiev, se manifestam.

Até domingo passado, alguns departamentos e câmaras municipais estavam ocupadas pelos manifestantes. Deixaram-nas para que uma amnistia do Governo de Ianukovitch se tornasse efectiva.

Hoje, na expectativa de que o Parlamento decidisse retirar alguns dos novos e substanciais poderes presidenciais, os manifestantes decidiram, de novo, ocupar os principais e emblemáticos locais onde antes se manifestavam o que levou as autoridades governamentais a optarem por mandar a polícia de choque para as ruas.

Acresce que de algumas cidades saíram machimbombos (autocarros) em direcção a Kiev para apoiarem os manifestantes.

Como se sabe, houve vários confrontos entre manifestantes e polícias.

A revolta está nas ruas! Há mortos e feridos!

E Putin, por certo, que não estará satisfeito com os acontecimentos e com os eventuais efeitos que poderão incidir em Sochi (nos Jogos Olímpicos de Inverno que ocorrem nesta cidade do Mar Negro).

E o que hoje ocorre em Kiev é um facto indesmentível e que deve ser levado em conta principalmente por aqueles que persistem em desprezar o poder do Povo, seja numa das recentes democracias musculadas muito em voga nos países saídos da antiga órbita socialista e que nunca conseguiram assumir uma verdadeira democracia popular, como hoje em Kiev, seja amanhã em Moscovo, ou mais tarde, num qualquer país mais a sul do equador, por exemplo...

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